sexta-feira, agosto 26, 2005

(In)Glória

Há em dias em que, ao acordar, só de pensarmos em abrir a persiana nos dá uma raiva imensa. Em que nos inclinamos sobre o parapeito da janela e desconjuramos o sol pelo simples facto de nenhuma nuvem o encobrir. Dias em que os sorrisos dos vizinhos nos provocam nauseas; em que a lentidão dos idosos nos faz desejar-lhes o sono eterno!
Há certos dias em que qualquer palavra é uma ofensa ao nosso humor; em que desbaratamos com tudo e com todos recorrendo ao vernáculo mais velhaco que possam imaginar. Dias em que olhamos as crianças como a semente do diabo; em que nos ocorre dizer que com o Salazar seria tudo bem diferente, bem melhor! Há dias em que matar, roubar e violar não parece ser assim tão descabido; em que a ordem é filha de uma meretriz pomposa e sem ter onde cair morta.

Felizmente hoje não acordei num desses dias. Talvez seja do vernáculo limitado, ou por achar que o Salazar não faz falta nenhuma! Não sei...

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terça-feira, agosto 23, 2005

E porque não?

- Qual o teu maior desejo?
- Matar Deus.
- Deus !?
- Bem... não propriamente. Não se pode matar o que não se tem por certo!
- Então?
- Falo em matar o conceito de Deus que grassa por aí...
- Humpf! És um tolo.
- Porque dizes isso?
- Se o próprio Deus não o conseguiu fazer ainda, o que te leva a pensar que o conseguirás tu?

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quarta-feira, agosto 17, 2005

Aos caçadores de almas

Vá, corram pelo mundo. Vagueiem pelas ruas onde as gentes do bem e do mal deambulam e provem-lhes a vossa fé. Mostrem-se os dignos detentores da bondade. Calquem e recalquem as distâncias replectas de povos e de credos, de raças e desgraças, e pavoneiem o ideal que vos faz respirar uma soberba ascetista. Movam-se e demovam-se. Cantem e gritem. Chorem e riam. Se é assim que encontram a vossa fé, pois bem, acedam-na como entendam. Por mim vejo-vos como caçadores de almas...
Sabem, sabendo eu estar longe de ser o detentor das razões que movem a alma, prefiro retratar-me todos os dias mais do que impelir outros a agir de acordo com um mesmo erro. Isso sim, é fé. Fé em mim, que sou falível... e não me esqueço!

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sexta-feira, agosto 12, 2005

Sem título




Fosse eu a água que investe sobre as areias dessa praia e já o mundo choraria a tua partida. E as injúrias desmedidas, focos de uma raiva sem razão, atirar-me-iam as culpas dessa abrupta despedida. O mar matou-a, diriam, arrastou-a para as profundezas inóspitas onde não há vida!
Mas essa seria uma culpa que de bom grado guardaria. A ela, e a ti, sereia do mundo como há muito não via!

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segunda-feira, agosto 08, 2005

Conselhos surdos?

- De que valem as lágrimas que derramas na tua solidão quando só tu as vês e sentes? A menos que o que procuras seja a auto-piedade, sujiro-te que aproveites a solidão para outros fins!
Postas as minhas palavras Igor levantou-se, sorriu-me de leve e afastou-se. Quando quase desaparecia de vez deixou no ar uma frase que ainda hoje ecoa na minha mente.
- São sábias as palavras que proferes, só é pena que não as ouças! - disse ele imediatamente antes de desaparecer.

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quarta-feira, agosto 03, 2005

Turn-Over

Agora sim, sei por onde ando e reconheço aquilo que vejo. Entretanto vou-me corrigindo dia após dia. Mas está tudo muito mais claro, ainda que o sol não brilhe mais do que tem brilhado até hoje!
É... mais tarde ou mais cedo as portas vão se abrir aos meus intentos... mas há sempre a possibilidade de as arrombar!

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