sábado, abril 30, 2005

Do olá à saudade

Posso-me chegar perto de alguém e dizer olá. E depois, em conformidade com o Tempo que nos ilude, estendê-lo por outros sóis e luas.
Posso dizer adeus. E depois, em consonância com o orgulho que nos consome, manter a firmeza desse fim a todo o custo.
Só não posso, porque não há palavras nem gente que o possam medir, quantificar o prazer e angústia de cada momento passado com os meus pares.
Posso apenas garantir os olás e os adeus, apenas porque não lhes posso ser indiferente.

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quarta-feira, abril 20, 2005

Tendes Homem!

O fumo branco saiu e anunciou-se um homem sombrio. Parece-me que dos dias que estão por vir só se verá fumo negro.

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sábado, abril 16, 2005

Aos amigos e amigas da blogosfera...

Não vos tenho visitado ultimamente, mas também não vos tenho esquecido. Assim o permita o tempo e logo vos visitarei.
Um abraço.

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terça-feira, abril 12, 2005

Há-de sempre chover (II)

Especado em frente à janela, Z indaga-se sobre o destino de Eva. Faz tanto tempo que ela desapareceu por entre aquela chuva! Para onde terá ido?
Pela sua cabeça passam milhares de imagens. Quase todas elas lhe causam medo, angústia e até repúdia. E depois há esse pressentimento que lhe causa um arrepio na espinha. Ela esconde-lhe algo, está seguro disso. Existe um segredo qualquer que se esconde dele, teimosamente, para lá da cortina de chuva. Se ao menos soubesse o quê!
Entretanto, enquanto Eva não regressa, limita-se e atrofia-se à mercê das imagens que correm livres na sua imaginação. Uma delas há-de estar certa mas ele talvez nunca o venha a descobrir. Bem vistas as coisas, Z sabe que uma palavra de Eva bastará para que ele se arrependa dos seus pensamentos. Mesmo que seja uma dessas que soam a mentira...

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quarta-feira, abril 06, 2005

Pedra vem, pedra vai.

Pedra após pedra, vejo este muro que construí desmoronar-se. E uma após outra, vão-se espalhando desordenadamente pelo chão. A mim, restam-me duas opções: vê-lo cair até que não reste pedra alguma, ou destrui-lo eu mesmo. Afinal de contas, ele só cai por culpa minha...

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segunda-feira, abril 04, 2005

A predadora

Com um golpe cravou-lhe o punhal no coração. Depois, de feição deliciada, observou-lhe o esgar de dor; a boca entreaberta, emudecida por um destino fatal, como que procurando o ar que lhe parecia fugir; os olhos esbogalhadaos, vidrados numa dor dilacerante; os músculos faciais que se contorciam uma última vez. Aguardou pacientemente pelo último fôlego enquanto soltava gemidos de prazer. De um prazer imenso, intenso, denso! Por fim a morte anunciada chegava para reclamar aquele corpo banhado em sangue. Nesse instante deixou-se tombar sobre a inane vítima, rendida que estava a esse prazer orgásmico e macabro que a extasiava.
Agora sim, a noite era finda. O ritual do sexo estava desta forma completo. Era apenas justo que ela tivesse direito ao seu prazer, assim como os anónimos parceiros que conduzia ao mesmo destino tinham o seu. Ela "amava-os", levava-os à loucura, ao êxtase, envolta de uma frieza impossível de imaginar. Apenas a certeza de um orgasmo final, fruto de desejos inanarráveis, lhe transmitia alguma sensação de prazer.
Eles amavam, sentiam prazer pelo contacto físico, sexual. Entretanto, ela apenas os preparava para um prazer maior, derradeiro!
Daí a nada cairia num sono calmo e suave. Quanto a remorsos, os que que tivessem de vir, ficariam para um outro dia, longínquo, até que urgisse um novo e incontrolável desejo por mais um pedaço de vida alheia...

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