Desnudar!
Olho em meu redor e não vejo senão figuras corroídas pela vulgaridade. Figuras que se passeiam balanceando banalidades. Uma após outra, desfilando, passeando, correndo ou arrastando-se, vejo-as como sempre as vi: figuras cobertos de nada, reflexos de absurdos conceitos mundanos dos quais procuro fugir sempre que posso, como posso. Já não me fazem soltar sorrisos de escárnio, apenas esgares de tédio. E eu não suporto o tédio. Na verdade, odeio-o. Odeio-o quase tanto como a essas silhuetas de corpos fingidos que percorro com o olhar. Por isso combato-o. E no fim não resta senão a aprazível imagem de milhares de corpos nus. Despidos por mim. E então sim, mostram-se corpos reais, de gente a sério, como sempre foram. Não há mentiras, nem omissões. Apenas e só os traços reais que a natureza se encarrega de esculpir em nós. E isso, digo-vos eu, jamais me causa tédio. Pelo contrário, faz-me querer procurar por mais corpos, conhecer mais traços, observar outros encantos que se esculpem até à exaustão.
Caminhássemos sempre nus...
Caminhássemos sempre nus...
fotografia de Bobbi Bennett


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