terça-feira, março 29, 2005

Das eternas promessas

Quantas palavras, proferidas ao vento;
Quantas mentiras forjadas no tempo;
Quantas juras, quantas promessas;
Quantas lamúrias por contas avessas?

E por cada dia, após noite cerrada,
Cega-me a luz dessa nova alvorada.
Mas ainda assim prometo,
Em palavras que sinto,
Que na luz do próximo sol
Verá o Mundo que não minto.

É assim,
- em quantas palavras -
Que se confunde o que se sente
Sabendo-se do que se mente!
É assim,
- em quantas juras -
Que se faz tarde e se faz cedo,
Que nasce a mentira e cresce o medo!

Comentários...

terça-feira, março 22, 2005

Desnudar!

Olho em meu redor e não vejo senão figuras corroídas pela vulgaridade. Figuras que se passeiam balanceando banalidades. Uma após outra, desfilando, passeando, correndo ou arrastando-se, vejo-as como sempre as vi: figuras cobertos de nada, reflexos de absurdos conceitos mundanos dos quais procuro fugir sempre que posso, como posso. Já não me fazem soltar sorrisos de escárnio, apenas esgares de tédio. E eu não suporto o tédio. Na verdade, odeio-o. Odeio-o quase tanto como a essas silhuetas de corpos fingidos que percorro com o olhar. Por isso combato-o. E no fim não resta senão a aprazível imagem de milhares de corpos nus. Despidos por mim. E então sim, mostram-se corpos reais, de gente a sério, como sempre foram. Não há mentiras, nem omissões. Apenas e só os traços reais que a natureza se encarrega de esculpir em nós. E isso, digo-vos eu, jamais me causa tédio. Pelo contrário, faz-me querer procurar por mais corpos, conhecer mais traços, observar outros encantos que se esculpem até à exaustão.
Caminhássemos sempre nus...

fotografia de Bobbi Bennett

Comentários...

quinta-feira, março 17, 2005

Pintando a vontade

Quando Ana entrou na galeria Igor caminhava de um lado para o outro, de semblante carregado. De tal forma que não parecia ter-se apercebido da sua entrada. Ele corria de uma parede à outra, visivelmente perturbado com algo. Foi então que Ana lhe perguntou sobre o que o consumia. Igor, sem abrandar os seus movimentos, logo lhe confessou que não conseguia pintar o que quer que fosse. Não que lhe faltasse a motivação, o interesse, a vontade. Simplesmente não o conseguia fazer. Nisto Ana aproximou-se dele, lançou-lhe os braços na sua direcção e parou-o. Depois, num tom melodioso, suave, de quase encanto, lá lhe foi dizendo que, a menos que empunhasse o pincel e se imobilizasse frente à tela, jamais poderia pintar o que quer que fosse. A angústia que o acometia não era senão um reflexo da sua própria impaciência. Pára, dizia-lhe ela, pára que a seu tempo as cores surgirão. Mas se continuas a correr de parede a parede, prosseguia Ana, as tintas que usas acabarão por secar, assim como a vontade que ainda fervilha em ti...

Comentários...

terça-feira, março 08, 2005

Volto já!



Tem mesmo de ser. O stress tem estrangulado a criatividade. As palavras não fluem como desejo. É a mente a deambular pelo mundo real das preocupações e afazeres laborais. Tentarei ser breve. Até lá, beijos e abraços para quem passa.

Comentários...

quinta-feira, março 03, 2005

Os filhos de Deus

Diz o povo, no tom da sua sabedoria, que quem sai aos seus não degenera. Pergunto eu, na plenitude dos meus desconhecimentos, o que terá o criador a responder em sua defesa?

Comentários...

on-line