segunda-feira, janeiro 31, 2005

Já nem tentam...

Este fim de semana dediquei especial atenção às ideias políticas de cada um dos partidos que concorrem pelo poder. Ouvi o que disseram e procurei analisar da melhor forma possivel, recorrendo ao melhor do meu discernimento, o conteúdo das suas mensagens. Desde então tenho sido perseguido por uma vontade enorme em rever o clássico "E tudo o vento levou".

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quinta-feira, janeiro 27, 2005

A promessa

Chekirov - Tender Passion

Prometeu-lhe. Jurou-lhe em palavras que som algum ditou que a carregaria para sempre na sua memória. Fê-lo ontem, como o faz hoje, na certeza de que será assim até ao último dos seus suspiros. E ela sabe-o, leu-o nos seus olhos, ouviu-o nos seus pensamentos. É real aquela jura, porém não é promessa isolada. Ela mesma o disse, em igual som mudo, ela própria o entendeu. E sem mais palavras, desocupando a alma de pensamentos, deixaram-se levar no tempo. Ele carregando-a em seus braços, até à extinção da memória, e ela cobrindo a sua própria face, não fosse conhecer essas outras juras, tão reais e sentidas, que prometeu carregar consigo...

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terça-feira, janeiro 25, 2005

... mudam-se as verdades!

Lembrei-me hoje, a caminho de casa, dos meus sonhos de criança. Dos planos e histórias que concebia no aconchego da minha cama. Das mil e uma facetas de uma mesma vontade, a de ser o que ainda não imaginara. Noite após noite só o actor se mantinha. Tudo o resto era diverso, invariavelmente diferente. Como era bom esse tempo. Eram apenas sonhos e histórias. As expectativas, em todo o seu conceito abstracto e dilacerante, não tinham lugar nessa vida. Era aquilo, sem tabus, sem porquês ou lógicas inibidoras. Nesse tempo chamava-lhe de brincar aos sonhos, hoje chamo-lhe de conto de fadas.

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domingo, janeiro 23, 2005

Ausência

(Untitled - Bobbi Bennett)

Amanhã já não sou eu
mutilo o meu presente
desapareço e sou ausente
de um mundo que era o meu.

Amanhã o passado ardeu
na frieza de um inferno inventado
por alguém amanhã acabado
por alguém que se esqueceu.

Amanhã foi ontem
um futuro longinquo e passado
por lembrar e já relembrado.

E hoje já não me lembro
do futuro e passado dia
do mundo que ontem vivia.

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quinta-feira, janeiro 20, 2005

Passou-me isto pela cabeça.

A vida, dizem, é a procura incessante da felicidade. Talvez por isso, ciente da natureza da sua obra, ao criador não lhe tenha restado senão inventar a morte.
Pois bem, digo eu, façamo-lo esperar então um pouco mais inventando nós mesmos a felicidade de cada um. Talvez se desenhe um sorriso...

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terça-feira, janeiro 18, 2005

Prelúdio (ou o silêncio das revoluções)

Shout de Mishag

Por vezes um simples brilho no olhar basta. Não é sequer preciso que se contorçam sobre esse orgulho patético a fim de dizerem um obrigado. Esse brilho nos olhos seria suficiente, a prova mais que provada em como há vida sob esses fatos de gente importante. Mas não, nem isso vejo quando vos fito o olhar. Na verdade não há senão uma frieza imensa, por vezes até assustadoramente gigantesca, como se infinita. E depois pergunto-me porque raio hei-de eu ter que vos suportar a indiferença. É óbvio que não tenho e mais certo que não devo. Porém, porque para tudo há sempre um mas, um inevitável todavia, continuo a agir como se assim é que devesse ser. Dia após dia, suspiro após suspiro, as minhas palavras caiem em saco roto. Debito-as ao vento apenas para que este as leve para longe, para onde a indiferença e o calculismo dos executivos e administradores da razão se deleitam com a impotência de quem julgam viver abaixo na escala hierárquica que eles próprios magicaram. Um simples brilho no olhar bastaria para que este sentimento de revolta não começasse a crescer em mim. Um brilhar, mesmo que súbito, evitaria este emaranhado de sentimentos que ameaça explodir a qualquer momento. Mas ao que parece o gelo que se acumulou é demasiado para se quebrar assim, de um dia para o outro. E as palavras entorpecem-vos a soberba, engasgam-vos a superioridade egocêntrica que vos marca. Por ora, até agora, tenho aceite a vossa vontade mas saibam, como já o disse, que para tudo há um mas e, não deixem que a cegueira do vosso ego vos impeça de o ver, o momento chegará em que tudo será diferente. E só vocês não estão preparados, porque só vocês não vêem. Quanto a mim, aqui estou, à espreita, esperando um momento, uma deixa, uma atitude que me solte a revolta de uma vez por todas. É assim que deve ser, o seu a seu tempo. Nem antes nem depois, que um passo em falso, mesmo quando bem intencionado, é apenas mais um passo para um tormentoso cadafalso. Assim, porque do sadismo da vossa miopia intelectual não há surpresa que ainda se guarde de mim, vou-me deixar estar por aqui, apenas mais um pouco, até que o momento chegue em que, de mãos bem erguidas ao ar, eu grite bem alto a minha revolução.

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domingo, janeiro 16, 2005

Pois é... chama-se saudade!

Eis-me de novo, por terras lusas, entregue à verdade que tanto crítico mas da qual não consigo abrir mão.
Sim, não poderia ser de outro lado senão deste canto tão acolhedor.

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segunda-feira, janeiro 10, 2005

Até já

Por motivos profissionais não poderei postar nada até ao próximo sábado. É o trabalho...

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domingo, janeiro 09, 2005

Nunca foi...

Sabem, Baco não é o que parece. Ele nunca o é!

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quinta-feira, janeiro 06, 2005

O amanhã é longe demais

Lamentavelmente, disse ela socorrida de palavras tremidas, o nosso futuro acaba aqui. Ele ouviu. Escutou com a atenção que podia e foi-se embora. Não contra-argumentou nem rebateu as palavras dela. Apenas virou costas e seguiu o seu caminho. Afinal, fora sempre assim. Ela dizia algo e ele acatava. Ela dava uma ordem e ela aceitava-a. Pois bem, não seria agora que as coisas iam mudar.
Enquanto ele se afastava, sentiu-a gaguejar algo. Um murmúrio que soava a arrependimento. Mas foi apenas isso. Uma determinada imperceptibilidade que não se fez soar convenientemente. Ele achou que talvez fora de propósito. Para o massacrar. Ela sabia que isso o deixaria a pensar. Sabia muito bem que se dissesse com clareza que afinal o futuro continuava amanhã ele voltaria para trás. Por outro lado, talvez isso fosse uma generosa prova de amor que um dia ele poderia vir a entender.
Hoje, com o amontoar incontável dos dias, é ele quem diz que, lamentavelmente, ela tinha razão. O futuro deles tinha acabado ali, naquele momento distante. Mas não por ela, nem por decisão sua. Fora antes por indecisão dele. Fora aquela incapacidade de ser, de actuar, de não temer as consequências da vontade que matara o futuro que talvez pudessem ter tido e os restantes presentes.
E assim ele percebeu que as palavras que ela lhe dissera haviam sido uma generosa, corajosa e suplicante prova de amor. Mas, lamentavelmente, ele mantivera-se preso à sua fraqueza e não o entendeu. Até hoje, que é tarde demais! Agora não lhe resta senão amar e atar-se à sua morte.

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terça-feira, janeiro 04, 2005

Quem eu sou

Eu escrevo.
Debito palavras ao som do nada,
Entusiasmado,
Perplexo,
Movido por uma razão apaixonada!
Eu conto.
Invento um mundo apalavrado,
Sonhador,
Despótico,
Onde o todo é encontrado!
Eu emudeço.
Calo a revolta que nasce da dor,
Impotente,
Bravo,
Solto as rédeas do amor!
Eu sou.
Existo nesta imensidão de gente,
Perdido,
Deambulante,
Esmagado por uma questão ausente!
Eu vivo.
Angustio-me sem estar arrependido,
Soturno,
Feliz,
Porque o nada também faz sentido!

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domingo, janeiro 02, 2005

Indultos

O homem grande dos mortais balbuciou uma indulgência qualquer e logo todos regozijaram com a sua generosidade. Como é bom e compassivo este homem do chapéu estranho, impressionava-se aquela gente. Vejam como ele perdoa aos iníquos e ama aos odiosos, continuavam por entre a balbúrdia de vozes que se entrelaçavam.
Mas já X, a quem esse indultado roubou a preciosidade de meia vida, tinha feito o mesmo. No entanto a ele chamaram-no de louco e desmiolado. Não se perdoa a quem nos mata o amor, acusaram.Ainda assim X prosseguia o seu caminho como se nada fosse pensando, de si para si, sobre o que saberia aquela gente do amor...

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