sexta-feira, dezembro 31, 2004

Pois é! Foi-se.


Para os amigos da blogosfera desejo que se divirtam bastante neste fim de ano.
Quanto a posts, já só mesmo em 2005.
Fiquem bem e um abraço.

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quinta-feira, dezembro 30, 2004

Clímax

Um momento! Dócil, terno, inesquecivel. Os corpos unidos não mais se largaram. A paixão foi jurada eterna. O amor, consumado, consumiu-se. No dia seguinte acordámos sós. Tu foste tu e eu fui eu. Os dois nunca poderíamos ser um só! Ainda assim dissemos amor. Sentimos esse calor...

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segunda-feira, dezembro 27, 2004

Puff!!!

Por estes dias, algures no meio de inebriantes momentos etílicos, perdi a inspiração. Envolto de uma ressaca gigantesca tenho tentado encontrá-la. Vou aqui e ali, onde sei que me arrastei alegremente vociferando incoerências, mas não a encontro. Provavelmente perdi-a num dos muitos momentos que jazem nas profundezas da minha inconsciência. Talvez os sonhos me mostrem onde está.
Até lá então...

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terça-feira, dezembro 21, 2004

Sombras do passado


Ancestors (1995) de David Culton

Não somos invisíveis. O Tempo é que passou por nós. Tocou-nos com aquela sua forma especial. Essa de não preocupação. De não apego. De desinteresse por todos e mais alguns. E depois ficámos assim, presos num momento que foi, ausentes no Tempo que ainda é. Somos apenas estas sombras de inexistência nos segundos que constantemente passam. Fantasmas de um passado gentilmente copiado. Cuidadosamente guardado na gaveta das memórias. Uma vez por outra, quando no Tempo que é alguém descobre o momento onde ficámos, voltamos a ser, a interrogar, a fazer crer numa existência comum. Mas não mais do que isso. Nunca mais do que isso. Na verdade, ninguém é mais do que isto! No fundo a visibilidade da nossa existência resume-se a estes fragmentos copiados algures no Tempo. Congelamos partículas de um presente para que mais tarde, na continuidade desse não passado e nunca futuro elas possam reaparecer por entre as sombras do Tempo que por nós passou. Não. Não somos invisíveis. Apenas vivemos de um outro presente!

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Ser ou não ser...

Pergunto-me, uma e outra vez, se é sempre verdade aquilo que vivo! Longe da angústia a resposta deixa-me sempre um amargo de boca. Diz-me ela, a resposta, que a verdade não está sempre no que vejo e sinto, mas tantas vezes no que o próximo entende e reconhece. Depois calo-me, meio indignado, meio conformado, apenas para entender, um pouco mais tarde, que certas questões não se colocam...

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segunda-feira, dezembro 20, 2004

Céus escuros

Suplico por dias de chuva. Anseio por nuvens carregadas que lavem esta terra. Dia e noite, no silêncio da minha voz, rogo ao grande Deus por um pouco das suas lágrimas. E digo-lhe que chore, nem que por uma só vez, sobre o tecto que me abriga. Que faça deste pó, lama, e destas ruas, água. E que leve, sim, que leve na enxurrada das suas lágrimas o lume que nos obriga a este calor insustentável. Deito-me, suplicante, escondendo a esperança que morre aos poucos pelas manhãs...

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quinta-feira, dezembro 16, 2004

Azul, o teu azul


pinto-te o olhar num instante
num segundo
num azul cor do mar
cor do mundo
pinto-te o olhar de mistério
de segredo
do azul mais bravo
e sem medo
pinto-te o olhar assim
como deve ser
de um azul invisivel
que só eu consigo ver

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terça-feira, dezembro 14, 2004

Puxem-lhe as barbas e ouçam-no gritar Oh!Oh!Oh!


Se um destes meninos fosse eu, os outros seriam por certo os meus amigos. Aquela menina de vermelho seria talvez a minha namorada, ou esposa, a estender-me o braço enquanto eu entrava no carro. Um todo terreno suficientemente grande para levar os comparsas numa viagem por aí fora.
Durante a viagem falariamos do tempo, do futebol, das conjecturas socio-económicas, da universidade, da conta do telemóvel e de todas essas coisas que nos tiram o sono. Qualquer coisa serviria para matar o tempo até chegarmos ao shopping.
Se estes fossem quem eu digo, e aquela carroça presa a um animal fosse um potente todo terreno, então o resto seria o centro comercial. Lojas apinhadas de gente. Gente cheia de sacos. Sacos replectos de prendas. Prendas destinadas a um natal feliz, de paz e harmonia, onde tudo no mundo está bem!
Se eu fosse aquele menino, e os outros fossem meus amigos, gostaria de saber o que é isso do Natal!

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segunda-feira, dezembro 13, 2004

Convite à amizade

Por favor, entrem e fechem a porta. Faz frio lá fora! Cá vos espero, junto à lareira, empunhando um copo nesta mão trémula. Depois falaremos, quem sabe se por toda a noite, sobre o que der e vier. O importante é que venham e que fechem a porta. Há bebidas que cheguem. Há sempre bebidas que cheguem... mas mais do que isso, há uma vontade enorme em falar.
Por favor, entrem e fechem a porta...

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sexta-feira, dezembro 10, 2004

Menção

Não são as palavras que mentem. É a entoação que engana!

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quinta-feira, dezembro 09, 2004

Não é amor. É outra coisa.

Palace Romance de Max Alexander

De ti não quero senão o teu sexo. Não me interessa amar-te. Na verdade não tenho a mínima vontade de te fazer juras disto e promessas daquilo. Não quero ter que me levantar pela manhã, todas as manhãs, perguntando-me se pela noite, todas as noites, ainda haverá amor que nos una. Facilmente dispenso esses momentos de ansiedade que fazem o coração disparar em todas as direcções como que palpitando uma dor que se avizinha. Não. Não é isso que quero de ti. De ti só quero o teu sexo. E apenas por uma noite, por esta noite! Quero que atiremos os nossos corpos, um contra o outro. Quero que sejamos apenas e só carne e desejo ardente de um momento que não se repetirá. Sabes, isto talvez te choque, mas apenas quero foder contigo e nada mais. E depois, quando tivermos terminado, seguiremos os nossos caminhos. Tu seguirás o teu e eu seguirei o meu. E tudo terá terminado então. Entre nós, não haverá outro momento assim. Asseguro-te. Não voltaremos a entregar-nos à volúpia. Não voltará a haver sexo entre nós. Não porque não venha a ter prazer contigo mas apenas porque não quero vir a amar-te. É que, sabes, voltar a foder contigo seria arriscar amar-te um dia. Seria dar-me a conhecer melhor as tuas formas, os teus aromas e os teus defeitos. Não. Não quero isso. Quero apenas este instante que se aproxima. Quero apenas o suor do teu corpo unindo-se ao meu. Escorrendo lado a lado até onde possam. Quero gemer contigo e contorcer-me ao teu ritmo. Quero fazer explodir o meu coração de prazer.
Não precisamos do amor para o que desejamos. Nem precisamos de desejar o amor para o que queremos. Basta-nos isto que nos espera. A vontade do prazer. O desejo de nos termos, por uma noite, nesta noite, e nada mais. A partir daí, volta a vida que nos querem ver.


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terça-feira, dezembro 07, 2004

Há-de sempre chover...

Lá fora não chove mas a promessa mantém-se no ar. As nuvens carregadas tornam-na um tudo nada mais evidente. Eva hesita. Não sabe se deva sair ou não. Dá um passo em frente e depois, imediatamente depois, recua-o. Fá-lo uma e mais vezes. Pé em frente e passo atrás, pé em frente, passo atrás e por aí adiante. Entretanto as nuvens adensam-se, tornam-se gigantes. Pintadas de um cinzento-escuro, ou talvez seja um negro claro, amontoam-se sobre si mesmas. A revolta está eminente e Eva não se decide. Continua ali, num vai que não vai, num passo que não anda, em hesitações de pessoa confusa. Ela lá sabe, ou não, as linhas com que se cose a sua indecisão.
Liberta-se um trovão. Do alto, onde as nuvens se digladiam, deixa-se cair num estridente relampejar. É o pronuncio do inevitável, o cumprir de uma promessa que sempre esteve de pé. E Eva, o que faz? Olha para o céu escuro, como se a noite tivesse vindo mais cedo, de onde vê a chuva cair. A sua expressão é de surpresa. De todo em todo se apercebera da inevitabilidade do que se avizinhava. Tanto pior para ela. Agora só lhe resta a decisão que evitou até aqui. Passo em frente ou pé atrás? Que se dane, parece pensar, há-de ser o passo adiante o que toma. Então, e enquanto o cair da chuva se intensifica, Eva dá um passo em frente que já não recua. Depois dá outro e mais outro, até que, por força dessa chuva esmagadora, os passos se apressam em tom de corrida. E é vê-la por ali, procurando desesperadamente escapar à chuva, até se perder de vista por entre a espessa cortina de água que já se formou. Eva desapareceu, por ora, mas não a chuva, sempre fiel às suas promessas.

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segunda-feira, dezembro 06, 2004

eVidente

Há dias em que tudo parece tão óbvio, tão plausivel e de explicação tão fácil que fico sem vontade de escrever...

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quinta-feira, dezembro 02, 2004

Introspecção

Porque me desenham as asas quando eu não voo? Porque me pintam a cara se eu não tenho um rosto? Porque me fazem de uma beleza inefável se tantas e tantas vezes não sou mais do que um monstro que deambula por aí?
Não julguem que o meu lugar é no céu. Nem sei se por lá há vida. Eu vivo mesmo por aqui, entre vós, saltando de palavra em palavra, de gesto em gesto, de sentido em sentido. Que mais posso eu fazer? Não sou o anjo que vocês pintam. Sou um parasita que alimentam. Vivo das vossas emoções. Alimento-me dos vossos corações. Por isso não tenho um rosto, tenho-os a todos. E ainda assim nenhum me pertence! São instantes que passam. Cóleras que não se perdem, sorrisos que não se esquecem. Como poderia eu, tão mais humano do que a carne alguma vez será, usufruir da beleza que me incutem? Não. Não sou merecedor e também não o desejo! Sou apenas isto que vos sussurro. Um momento, os momentos! Sou a delícia e a agrura, o desejo e o receio! Mais do que um anjo sou a hipnose da vida.
Querem-me pintar? Querem-me ter numa folha de papel? Exposto numa tela reluzente? Pois bem. Então pintem-se a vós mesmos. Olhem os vossos olhos, para lá do espelho que vos reflecte, e pintem-se. Talvez aí percebam…

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