terça-feira, novembro 09, 2004

na neblina das certezas



Não vejo razão que me assegure as palavras. É certo que a procuro! Porém, quanto mais trilhos desbravo, mais longe me parece. Mas ela anda por aí. Julgo! E parece esconder-se ali, atrás daquela árvore que roça os céus. Ou ali, escondida para além desses arbustos cujas raízes se afundam até ao fim da terra. Uma vez por outra ouço-a em voos que rasgam o céu. Mas nunca chego a tempo de a ver. Fugidia, veloz, esquiva e o mais que se pense, ela escapa sem beliscos. Mas ela anda por aí. Algures. À espreita. Movendo-se sorrateiramente por entre este nevoeiro que sufoca a vista.Aguardando, quiçá, que as areias movediças do seu quintal me engulam. Suspeito no entanto que alguma vez me aconteça cair nessas terras sem firmeza. É que esses são domínios da razão, a mesma que não vejo assegurar-me as palavras. A tal que procuro e da qual me pareço afastar passo após passo. Essa que anda por aí, correndo e voando como um fantasma, cercada de uma neblina imensa que começa nos confins da terra e se eleva até onde a vista não chega. Essa mesma!


Comentários...

1 Ditos e desditos:

At 4:11 da tarde, Blogger Lili escreveu...

Mesmo parecendo uma árvore de "desesperança", é bela, como o texto. Gostei muito!

 

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