conjecturas sem tempo
Faz tempo, ou vai-se fazendo, que não escrevo nada. E a culpa é dele, do tempo. Ou da falta que me tem feito. Há dias que parecem mais curtos. Minutos que passam mais depressa. Segundos que praticamente não existem. É um ar que se dá. Um relâmpago que desce trovejando por aí e que corta a verdade ao meio. De um lado fica o tempo como ele é e do outro a percepção que se tem dele. Foi precisamente neste último lado que fiquei preso, agarrado a uma sensação errada. A uma percepção distorcida de algo que por si só não garante uma verdade universal mas apenas e só uma necessidade humana. O irónico, o acaso que desenha sorrisos amarelos nos nossos rostos, é que não se trata de um acontecimento isolado. Não digo com isto que seja frequente. Apenas que se tem tornado cada vez menos raro. Ao porquê inerente não sei responder. Ou talvez até saiba mas prefira não o fazer. Há coisas que ficam melhor, ou que parecem menos más, quando aparentemente ignoradas. Quando propositadamente negligenciadas. Entretanto tempo e percepção reunificaram-se uma vez mais. É óbvio não é? De outra forma continuaria sem escrever. Escravo de um momento desprovido dos seus segundos, ferido nos seus minutos, deslocado do seu próprio tempo. É! A culpa é sempre do tempo. Por ser umas vezes curto e outras demasiado longo. Mas mais do que isso eu culpo o tempo por depender tanto dele!

0 Ditos e desditos:
Publicar um comentário
<< Home