sexta-feira, outubro 22, 2004

Sob estas asas





Bem me podes temer. Podes largar o teu sono por considerações desajustadas que as minhas asas também te hão-de tocar. Mais cedo ou mais tarde, pelo dia ou no correr da noite, voarei até ti e abafar-te-ei o ar. Sugar-te-ei o último fôlego de vida que ainda resista. E não me odiarás por isso. Não nesse dia. Hoje, bem sei, sou a última das tuas vontades mas, como nos outros dias, uma das tuas preocupações e o maior dos teus medos. Por ora te deixo na ilusão das coisas. Permito que corras e saltes, ames e odeies, rias e chores. Mas um dia, quando assim me apetecer, longe da mentira dos destinos, abraçar-te-ei para te devolver ao nada que eras antes.


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