segunda-feira, outubro 18, 2004

Novos dias.

De dia para dia este céu está cada vez menos azul. Pintam-no de cinzento, a cor das nuvens zangadas. Uma vezes mais iradas que outras, esses bocados de algodão intocável persistem em esconder a cor que não tem fim. De vez em quando, assim o permitam os humores, lá abrem uma nesga por onde se pode espreitar o tom azulado que o céu nos emprestou atér agora. Mas logo o escondem que este não é o tempo dele.
De dia para dia esta terra está menos seca. Regam-na as nuvens que tapam o sol. Sobre ela deixam cair o líquido da vida, o sémen dos céus. Uma vezes com mais intensidade que outras, a chuva cai sobre a terra que não há muito tempo atrás se angustiava na sua secura. Agora alimenta-se, bebendo da água que jorra do alto.
De dia para dia vejo as pessoas mais tristonhas, como se alegria se tivesse ido. Não lhes agrada a cortina que encobre a atmosfera e lhes proibe a luz do sol e o azul do céu. Não os censuro. É o calor que se esvai do corpo que os deixa assim, de feições mais graves, de músculos mais tensos. Querem o sol de volta, querem o calor que os aconchega. Mas esta é altura de renovar a terra e o que mais dela cresça e se alimente.

Comentários...

0 Ditos e desditos:

Publicar um comentário

<< Home

on-line