Considerações sobre uma certa armadilha
São as palavras que mais dão conta dos sonhos. São elas que se atiram contra o mundo e ecoam nas entranhas destes desgovernos. Mas não passam disso mesmo, de palavras ditas contra ao vento. Se há olhos que as leiam, ou ouvidos que as ouçam, é matéria que desconheço. Seja como for elas, as palavras, andam por aí, saltando de banco em banco, como um saltimbanco, procurando poiso onde se façam sentir, onde se sintam existir.
Os sonhos sempre foram e sempre serão, porquanto vivem da nossa existência. Alimentam-se de nós, da nossa vida, dessa existência errante, mas que não errada. Caminham com os nossos passos, trilham dos nossos rumos, apenas falam de forma diferente. Fazem-se ouvir e sentir quando do mundo não há senão a certeza física da sua existência.
Em certas manhãs os ditos da alma mantém-se presentes. A mente não os calou, não largou sobre eles a asa da censura e permitiu-lhes a luz do dia. É como se lhes desse a oportunidade de experimentarem a vida real. Mas mais do que isso haverá um motivo forte para essa não censura. Quase sempre é um sadismo inequívoco, um prazer odioso em contrapor a vontade à condição do momento. Olha, parece gritar a mente, olha o que tu desejas e vê o que tu és, percebe o que tu tens.
O corpo é quem mais se ressente dessa guerra entre alma e mente. É ele que se contorce de dor. É nele que a ira da angústia descarrega a sua frustração. Daí essa sensação inefável e indescritível que nos faz tremer e que nos baqueia as palavras.
Vem então a vontade de soltar tudo. Há que exorcizar esses demónios que aterrorizam o ser. É a altura das palavras, o momento da sua aparição. Elas trarão o alívio, ou assim se julga. E sem mais demoras, que o tempo é sempre de urgências, atiram-se as palavras contra o vento, quase sempre sem as medir, sempre por pesar. Ele encarregar-se-á de as levar. O resto, já se sabe, cabe aos ouvidos de quem saiba ouvir e aos olhos de quem saiba ver.
Assim se vão medindo os sonhos que ainda se recordam. Assim se vai pesando a debilidade de um corpo exausto, de uma mente insana e de uma alma sem tempo. Assim se sabe das coisas que são contrapostas à vontade de ser.
Os sonhos sempre foram e sempre serão, porquanto vivem da nossa existência. Alimentam-se de nós, da nossa vida, dessa existência errante, mas que não errada. Caminham com os nossos passos, trilham dos nossos rumos, apenas falam de forma diferente. Fazem-se ouvir e sentir quando do mundo não há senão a certeza física da sua existência.
Em certas manhãs os ditos da alma mantém-se presentes. A mente não os calou, não largou sobre eles a asa da censura e permitiu-lhes a luz do dia. É como se lhes desse a oportunidade de experimentarem a vida real. Mas mais do que isso haverá um motivo forte para essa não censura. Quase sempre é um sadismo inequívoco, um prazer odioso em contrapor a vontade à condição do momento. Olha, parece gritar a mente, olha o que tu desejas e vê o que tu és, percebe o que tu tens.
O corpo é quem mais se ressente dessa guerra entre alma e mente. É ele que se contorce de dor. É nele que a ira da angústia descarrega a sua frustração. Daí essa sensação inefável e indescritível que nos faz tremer e que nos baqueia as palavras.
Vem então a vontade de soltar tudo. Há que exorcizar esses demónios que aterrorizam o ser. É a altura das palavras, o momento da sua aparição. Elas trarão o alívio, ou assim se julga. E sem mais demoras, que o tempo é sempre de urgências, atiram-se as palavras contra o vento, quase sempre sem as medir, sempre por pesar. Ele encarregar-se-á de as levar. O resto, já se sabe, cabe aos ouvidos de quem saiba ouvir e aos olhos de quem saiba ver.
Assim se vão medindo os sonhos que ainda se recordam. Assim se vai pesando a debilidade de um corpo exausto, de uma mente insana e de uma alma sem tempo. Assim se sabe das coisas que são contrapostas à vontade de ser.

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