A vida que nos toca
A vida é isto e a vida é aquilo. Um prato cheio de sabores e uma glória vã sem arte nem engenho para mandar. É um minuto que se faz passar por dias ou um dia que passa em escassos minutos. É o quê e os quês que nem sempre respondem aos milhares de porquês que se debitam quase sempre sem equação. Mas é a vida que temos. São estas linhas desconexas, estes pensamentos hilariantes que nos fazem correr sempre na mesma direcção fatal. E é assim, entre os dois pontos inevitáveis que formam a linha que pisamos, que nos vamos deixando embalar ao som de risos e de lágrimas, de excelência e idiotice. Não há meios termos, apenas termos que vão ficando pelo meio, uns esquecidos e outros que nem tanto. É esta a vida que criticamos e amamos, que enaltecemos como desconjuramos, que se resume em meia dúzia de imagens diferentes no contexto mas sempre iguais no conteúdo. É esta vida que desprezamos, na ignorância de achar que nos pertence, na insanidade colectiva de um ideal de posse, que nos vai escapando sem dó nem piedade, porque na vida essas são palavras que pertencem apenas a homens e mulheres, crianças e idosos. E é assim que vai sendo a vida, um emaranhado disto e um despropósito daquilo. No fundo a mais não se resume do que a uma caixa mágica onde palavras e imagens correm desenfreadamente sem rumo nem prumo, sem tido nem achado, não olhando a quês nem respondendo a porquês. Se boa ou má, a cada um que a vive cabe responder, e nenhum responderá de igual forma, porque boa ou má não é resposta a que se possa resumir a vida. Entretanto a vida passa num frenético e incessante desfile de perguntas e respostas, ideias e opiniões mas mais que tudo, numa parada de gritantes atropelos ao que a vida terá de melhor...

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