quinta-feira, setembro 30, 2004

A face escondida do terror



Não são muitas as palavras que vou escrever sob esta bandeira mas as suficientes. Resumidamente basta-me escrever duas frases tão simples quanto estas :
O terrorismo tem duas faces. Porque recriminamos nós apenas uma delas?

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terça-feira, setembro 28, 2004

Valiosos momentos.

Quem me fala do amor de mais não fala senão de uma agradável dor. Quem me segreda os seus encantos mais não sussurra senão os seus doces prantos. A cada palavra, a cada sílaba que se solta, revelam-me sempre esse mesmo verbo que dia após dia, momento após momento não me canso de ouvir. Como são agradáveis esses momentos, como me dão vontade de sorrir. E mesmo sendo eles raros, são como prosa que soa a poesia, os meus eternos amparos.

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sábado, setembro 25, 2004

Uma questão de princípio...

Há dias em que nada nos sai, em que as palavras se emudecem, como se enlouquecidas pelo medo. Odeio isso. Odeio a ideia de que elas se possam amedrontar, atemorizar perante o receio. Contudo, salve-se a pergunta, que posso eu fazer? As coisas já eram assim antes de eu chegar, pois bem, há que as deixar assim por mais algum tempo, pelo menos até eu próprio me habituar. Até lá estes desalojamentos do pensamento terão que aguardar legitimidade afinal, fui eu quem chegou depois...

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quinta-feira, setembro 23, 2004

O Tempo

O Tempo não corre,
apenas flui.
O Tempo não vai nem vem,
apenas se dilui.
Na sua essência,
ou nos sonhos de alguém,
o Tempo acontece a todos
e acontece por ninguém

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quarta-feira, setembro 22, 2004

Excertos de um delírio...

Hoje não me apetece escrever sobre a actualidade. Não me apetece corromper os apelos da minha vontade. Em contrapartida, porque não sei estar sem escrever, vou deixar algumas palavras, na verdade um pequeníssimo excerto, de um pequeno ensaio que imaginei e escrevi há algum tempo. Talvez mais tarde escreva mais uma ou outra parte...
"(...) Estás sujo e desregrado. A noite deixou em ti a sua marca. Dilacerou partes de ti que se abriram, deixando fugir o sangue que te alimenta o coração. Por certo estás mais fraco porém, o teu medo faz-te ignorar uma verdade que saciará o feroz predador que te persegue. Se ao menos tivesses onde olhar a tua figura debilitada e ameaçadoramente corrompida! Aí certamente te deterias perante essa tua fuga. Nem que por um breve instante, olharias para trás em busca de uma desculpa que te permitisse desobedecer à força inquisitória que te fez correr durante o reinado da escuridão.(...)".

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terça-feira, setembro 21, 2004

Era uma vez a educação...

Queria escrever uma crítica, ou reflexão, ou ainda, se preferirem, um parecer a toda esta situação que se vive em Portugal. Refiro-me, claro está, à colocação de aproximadamente 50 mil docentes, ou melhor, à sua não colocação. Escrevi um esboço, depois outro e mais outro, mas acabei por desistir. Não conseguia escrever sem uma forte dose de ironia e sarcasmo o que, a seu tempo, com o decorrer das linhas, acabava por se transformar num ataque escrito e desprovido de tabús a certas e determinadas pessoas encarregues dos nossos destinos enquanto cidadãos. Por isso optei por não postar qualquer desses esboços. Preferi ficar por uma questão(ou mais) simples mas, creio eu, incisiva. Afinal de contas, haverá mais algum país onde as aulas começam sem que os professores tenham sido sequer colocados? Será que este folclore se repete noutros países? Haverá mais alguma nação a desrespeitar e desinteressar-se assim tanto pela educação daqueles que serão o futuro do próprio país?
Enfim, não sei mais que pensar sobre tanta incompetência e ignorância reveladas em tão pouco tempo. Façam-nos um favor, senhores e senhoras governantes deste país, não queiram passar para as gerações vindouras a vossa própria inabilidade intelectual e/ou política. Está na altura de tratarmos deste país como ele merece ser tratado, com respeito e interesse, com vontade de o colocar num patamar, se não igual, pelo menos mais próximo desses países que temos como modelo.
Nota: Envio aqui um abraço de solidariedade a todos os professores e professoras que vivem esta situação ridícula e grave.

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segunda-feira, setembro 20, 2004

A força da vida.

Não são mais que os outros, mas também não são menos que o resto. Podem não ser iguais aos outros, mas também não são diferentes dos demais. Esta é a gente da vontade e do querer, da abnegação e do desejo de viver. Estas são as pessoas que nos ensinam, sem precisarem de falar, o real valor da vida. Porque a alegria de viver mora já ali, à distância de um salto gigante impulsionado pela vontade! E que ninguém lhes fale em pena, dó ou piedade, pois esses são adjectivos inapropriados para quem mostra tanta garra em viver, tanta força em batalhar as adversidades. Não! Falemos-lhes antes de glória, de convicção e de vitória, porque todos são vencedores e nenhum é derrotado. Todos eles são verdadeiros campeões, todos eles personificam o verdadeiro espírito olímpico. E vê-los, para mim, é deixar cair uma lágrima sentida e emocionada, movida por uma alegria que só as pessoas da vontade poderiam gerar em mim. Para todos um muito obrigado pela valiosa lição de vida que proporcionam a este mundo em perca de valores.

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sexta-feira, setembro 17, 2004

Como entender o incompreensível !?

Passando a minha atenção pelo jornal "Público", acto rotineiro de há um tempo para cá, não pude deixar de reparar num determinado artigo de opinião assinado pelo jornalista Mussá Turé e que falava sobre o Islão e o terrorismo. Começou o dito jornalista por, talvez querendo provar um ponto que se revelou confuso com o decorrer das linhas, condenar o terrorismo pela brutalidade que o mesmo revela. Certo, certo. Palavras de circunstância, à falta de argumentos que possam refutar o óbvio. No entanto não tardou em destapar um pouco do seu, digamos, discurso equívoco. Disse o referido jornalista, e passo a citar, que "tanto os EUA como os seus aliados europeus andam tão ocupados em combater o terrorismo que nem se dão ao trabalho de procurar entender as suas causas.". E um pouco mais adiante reportou-se a um artigo de Miguel S.Tavares para criticar a sua conduta, arrojada mas directa a meu ver, por este afirmar aquilo que é do conhecimento geral, que todos os terroristas conhecidos são muçulmanos. Condena porque diz que este tipo de atitude serve apenas para hostilizar ainda mais os árabes e muçulmanos procurando em seguida fazer crer que o que M.S.T. realmente quer dizer é que todos os muçulmanos são terroristas. Nada mais incorrecto e incoerente. E mais adiante volta a afirmar a necessidade de entender as causas do terrorismo para melhor se poder lidar com este, garantindo-se dessa forma a estabilidade e paz que tanto se procura. Pessoalmente não sei o que quererá ele dizer com essa necessidade de entender as causas do terrorismo porque não há nada para entender nessas atitudes desumanas e bárbaras. Não é com extrema violência, sistemáticamente exercida sobre pessoas inocentes, que se prova um ponto ou uma hipotética causa. Acima de tudo, e lendo o artigo deste jornalista, pareceram-me as suas palavras como uma propaganda gratuita a algo que prefiro tentar não entender. Do início ao fim ele não fala noutra coisa senão em entender o terrorismo na vez de o tentar combater. E o mais grave, nota-se um certo discurso que só pode procurar justificar o terrorismo, senão atente-se às suas palavras que passo a citar. "De nada adianta fazer crer que a civilização ocidental, entenda-se cristã, é superior à árabe ou muçulmana. Enquanto persistir esse tipo de juízos, haverá sempre quem encontre, de um ou de outro lado, em actos terroristas ou segregacionistas, a razão de defesa da sua cultura". Ora, pode ser engano da minha humilde pessoa, mas eu não vejo, especialmente por essa europa fora, militantes cristãos exibindo cartazes acusando os não cristãos de heréges ou impuros. Senhor Turé, entenda de uma vez por todas, ninguém está a acusar todo o Islão, até porque há muitos quadrantes muçulmanos que se opõem ao terrorismo, acabando quase sempre por sofrer as consequências dessa oposição. E o que poderá haver de mais identificativo das intenções e/ou causas do terrorismo que essa procura incessante de impor uma forma de estar e pensar a todos os que não são por eles?
Creio que um jornalista deveria ser acima de tudo imparcial nas suas análises. É certo que a opinião é livre, pelo menos nesta parte do globo, mas não deve ser utilizada como meio de procurar promover determinadas situações que sob signo algum encontram justificação. E acredite que a intolerância promovida, não pelo corão, mas sim pelos seus guardiões (?), pelos supra-sumos da religião (que a qualquer momento podem distorcer os ensinamentos do corão com os seus propósitos mais obscuros) é real e tem gerado este sem número de situações que vão desde o rapto e cobarde assassinato de jornalistas e civis, que nada têm a ver com esta guerra, até casos como o de Ossétia do Norte. Antes de entender as causas do terrorismo há que olhar para os métodos dessa gente sem escrúpulos. Lá porque alguém se sente injustiçado numa determinada questão, com maior ou menor relevo, isso não significa, e muito menos lhe dá o direito a que se crêem assistir, que possam desatar a matar aleatória e indiscriminadamente pessoas que nada têm a ver com os seus problemas e que, muitas das vezes, até compreenderão e partilharão da dor que os possa consumir. Acima de tudo há que pôr a vida e dignidade humana sobre qualquer questão mais ou menos politizada.
Tenho dito!

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quarta-feira, setembro 15, 2004

Será assim tão complicado!?

Hoje acordei com uma vontade enorme de me alhear de tudo. Levantei-me na expectativa de não ter que ouvir falar sobre Darfur, ou o furacão Ivan, ou o terrorismo internacional. Não. Hoje esperava tirar o dia só para mim e para os meus pensamentos. Julguei que talvez pudesse passar ao lado de tudo e relembrar-me de como era há uns anos atrás, quando era ainda um miudito. "Isto vai ser engraçado", pensei para comigo. Enganei-me. De divertido nada teve. Na verdade não consegui sequer cumprir o meu desejo. Ao invés do que quiz veio o que procurava evitar, como que numa demonstração cabal de uma força que prefiro não reconhecer. Ainda assim a vontade mantém-se, meio ligada à máquina, é certo, mas ainda vai respirando...

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terça-feira, setembro 14, 2004

Onde só a dor não morre...



Darfur, Sudão, onde as lágrimas hão-de continuar a ser derramadas, como derramado será o sangue de tantos que choram. É de lá a origem desta foto. É de lá que ecoam os gritos mudos que suspiram e clamam por auxílio. É lá, no Sudão, e ao que parece com o apoio mal disfarçado do governo sudanês, que uns tais de "janjawid", mílicianos árabes, como não podia deixar de ser, espalham a morte e o terror numa indisfarçável e bárbara limpeza étnica.
Darfur, Sudão. É daí que vem esta foto, de um ser humano que sofre continuamente porque do mundo civilizado, desse que se diz atento às atrocidades e que as procura combater, ainda não surgiu ajuda que faça sorrir a esperança. É daí que vem esta foto, de alguém que talvez ainda guarde no silêncio da dor a esperança de dias melhores, ou que talvez seja apenas um número mais para a estatística.
Darfur, Sudão. E o mundo fecha os olhos à dor de um povo.
Saiba mais sobre Darfur em,
  • Darfur Peace and Development
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    Batman reinventado

    Batman, um super-herói bem humano e destemido, achou que já estava na altura de abandonar o seu esconderijo poeirento, perdido numa qualquer revista de quadradinhos. Orgulhosamente vestiu o seu traje universal, tão característico, e fez-se a mais uma luta. Mas desengane-se quem julga que o intrépido herói mediu forças com um Mr.Freeze, ou um Joker, ou mesmo uma beldade felina que deixa em tantos homens uma vontade escondida e meio envergonhada de saborear a sua ousadia. Não, nada disso. Desta vez Batman envergou as suas roupas de super-herói, já um tanto desajustadas, afinal todos sofrem as agruras do tempo, e encetou uma luta pacífica, de palavras, por um direito justo que assiste a paternidade. Se alguém o ouviu, se os inimigos que visava terão sentido os golpes que tão pacificamente desferiu, só o tempo dirá. Porém uma coisa é certa, este herói mostrou-se atento e disse presente. E não o fez numa mega produção encenada por barões lobistas e outros que tal. Fê-lo porque crê num ideal que visa os tão proclamados direitos iguais. Um direito tão simples e tão básico quanto pode ter um pai que ama um filho. E afinal de contas, mais do que um herói Batman é um homem pelo que, na sua vida bem poderia (ou poderá) haver uma Batwoman que lhe desse umas Batcrianças às quais amaria tanto quanto a sua progenitora. Essa destemida luta travou-se por terras de sua majestade como se poderia ter travado por outras onde as majestades não são senão mero objecto decorativo. Travou-se onde tinha de ser travada. É só de esperar que agora, por cá e por outros sítios, os outros, sejam eles o Super-Homem, ou o Homem-Aranha, ou até o incrível Hulk, sei lá, voltem a envergar as suas honradas fatiotas e se façam a mais uma luta.

    Para quem se interesse, deixo o link da organização que "reinventou o Batman".
  • Site britânico fathers-4-justice
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    segunda-feira, setembro 13, 2004

    Da loucura!


    Escasseiam-me as palavras que justifiquem este medo constante, esta paranóia asfixiante. Não encontro os termos para esta fobia delirante. Não sei o que, nem como, nem por que dizer o que me consome. Apenas sinto essa fome voraz dilacerar-me as entranhas. Resta-me este espectáculo masoquista de contorções sucessivas, de dores inefáveis e angústias repressivas. E eu nem me consigo queixar. Não há sequer a vontade de expressar um sentido ai, ou um inocente ui, que deixe ao mundo a ideia de uma qualquer dor cíclica, continuamente reciclada, e que me remete para os recônditos da mente. Talvez porque não seja realmente dor mas antes um prazer proibido da alma que a razão, longe de o desconhecer, se obriga a censurar. Não sei o que é, repito-me, escasseiam as palavras justificativas de um medo, ou fobia, ou paranóia ou lá o que seja, que respira comigo como se fosse eu, ou como se o tentasse ser. Talvez seja porque o sentimento é deveras forte, imensurável, pelo que não há espaço, nem tempo, nem vontade para as palavras. E as que saem não são mais do que vómitos dessa agonia constante…

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    sábado, setembro 11, 2004

    A velha solidão...

    "Não tenho medo da morte", disse-me certa vez um velho esquelético e corroído pelo tempo. Eu nada disse. Limitei-me a ficar expectante, como se adivinhasse nova investida que não tardaria. "Só me assusta é morrer só", lamentou-se então, como se esse fosse um fim anunciado e inevitável. E eu, bem, eu mantive esse mesmo silêncio patético, incompreensivel, injustificavel. Como se lhe desse razão, como se fosse um anjo, ou um guardião do tempo, que soubesse de antemão que sim, que ele iria mesmo morrer só, como só vivera. Então o silêncio estendeu-se por toda a parte, como se eu não lhe bastasse. Abraçava-me a mim, ao velho e a essa sala estranhamente vazia, onde as janelas há muito não se abriam e as portas aguardavam entreabertas que alguém as cruzasse. Não se ouviu mais nenhuma palavra da boca desse débil homem. Apenas um pequeno adeus, dito por mim, tremulamente, como se inseguro, ecoou naquele espaço. Gostava de acreditar que esse velho também tivesse ouvido a mentira que dizia para a minha alma, em tons emudecidos, que não, que ele não morreria só, que alguém lhe estaria a segurar a mão no momento do seu último suspiro. Mas ainda assim, como poderia eu enganar quem já tanto sabia da vida? Talvez tivesse sido melhor assim. Sair sem nada dizer, deixando a esse homem a infeliz, porém acertada ideia, de que o mundo não mente, nem é frio, apenas tem outras tristezas com que se ocupar. Quanto a mim, bem sei que o velho irá morrer só. Não me assiste coragem de enfrentar essa última cruzada que é só sua e para a qual não estou preparado...

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    sexta-feira, setembro 10, 2004

    Estado de sítio

    Negro! Como a cor de um pesadelo inacabado, cíclico, sádico. As linhas contorcem-se sobre si mesmas no longo caminho entre pontos. Foram rectas outrora mas a opacidade dobrou-as, moldou-as, deu-lhes uma outra forma. Negro! Como a abissal escuridão de um Universo longo, demasiado longo, frio e distante. O brilho das estrelas é apenas efémero, débil perante o gigantismo do caos que as devora. Negro! Como o abrupto fechar de olhos, o último correr do pano, como uma porta que se fecha ao sol. É negro o tom que serpenteia as entrelinhas da humanidade. Negro! Como o insinuante sadismo libertado pelos poros do desejo.Não é mais um tom, uma cor, este negro omnipresente, mas antes uma condição, um estado!

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    O último dia!

    Faz hoje três anos que o mundo dormia ainda um sono inocente, ignorando um violento despertar que o atiraria irremediavelmente para a crueza da realidade. Faz hoje três anos que a intolerância se preparava para tomar um lugar que nunca deixou de espreitar. Uma tomada meticulosamente estudada, sordidamente planeada até ao milímetro. Há três anos atrás, num dia mais solarengo que o de hoje, os sorrisos espalhavam-se pelo ar, como as preocupações, movidos por coisas banais, quotidianas. Não cheirava a medo, muito menos a terror. Não havia a desconfiança de que dos céus irromperia a morte como se de um evento bíblico se tratasse. As pessoas que se cruzavam diariamente, quase sempre num perfeito anonimato, diferentes em tantas coisas, ignoravam que o destino lhes reservava um fim igual. Um destino macabro, traçado pelos senhores da ignorância e intolerância, no fundo uma e a mesma coisa. Foi assim há três anos, num pacato e perfeitamente normal dia dez de setembro, que o mundo não sabia que se despedia da aparente inocência que pairava nos seus céus.Faz hoje três anos que a face do ódio religioso se preparava para saltar para as luzes da ribalta, gritando aos ouvidos do vento que só um certo deus, desprovido de corpo e alma, interessa. A vida dos homens e mulheres de todas as idades, que choram e riem, amam e sofrem, pouco ou nada interessa aos olhos fundamentalistas dessa gente acéfala. É este o dia que eu guardo na memória porque este ainda foi um dia feliz.

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    quarta-feira, setembro 08, 2004

    A vida que nos toca

    A vida é isto e a vida é aquilo. Um prato cheio de sabores e uma glória vã sem arte nem engenho para mandar. É um minuto que se faz passar por dias ou um dia que passa em escassos minutos. É o quê e os quês que nem sempre respondem aos milhares de porquês que se debitam quase sempre sem equação. Mas é a vida que temos. São estas linhas desconexas, estes pensamentos hilariantes que nos fazem correr sempre na mesma direcção fatal. E é assim, entre os dois pontos inevitáveis que formam a linha que pisamos, que nos vamos deixando embalar ao som de risos e de lágrimas, de excelência e idiotice. Não há meios termos, apenas termos que vão ficando pelo meio, uns esquecidos e outros que nem tanto. É esta a vida que criticamos e amamos, que enaltecemos como desconjuramos, que se resume em meia dúzia de imagens diferentes no contexto mas sempre iguais no conteúdo. É esta vida que desprezamos, na ignorância de achar que nos pertence, na insanidade colectiva de um ideal de posse, que nos vai escapando sem dó nem piedade, porque na vida essas são palavras que pertencem apenas a homens e mulheres, crianças e idosos. E é assim que vai sendo a vida, um emaranhado disto e um despropósito daquilo. No fundo a mais não se resume do que a uma caixa mágica onde palavras e imagens correm desenfreadamente sem rumo nem prumo, sem tido nem achado, não olhando a quês nem respondendo a porquês. Se boa ou má, a cada um que a vive cabe responder, e nenhum responderá de igual forma, porque boa ou má não é resposta a que se possa resumir a vida. Entretanto a vida passa num frenético e incessante desfile de perguntas e respostas, ideias e opiniões mas mais que tudo, numa parada de gritantes atropelos ao que a vida terá de melhor...

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    terça-feira, setembro 07, 2004

    Um sorriso pelo futuro

    Sempre que uma criança sorri, sempre que o som alegre do seu riso ecoa pelo ar, sinto em mim a essência das coisas, a razão da existência, o motivo mor da nossa efémera passagem. E depois dou por mim a pensar que todos os idealistas, essas almas utópicas, terão visto a perfeição do mundo no olhar sorridente de uma criança. Sim! É bom ouvir as gargalhadas dos inocentes e olhar esses sorrisos sinceros que lhes ocupam o rosto por inteiro. É bom porque é essa imagem que me socorre nos momentos de maior angústia, quando a razão questiona a alma sobre a razoabilidade da vida. E são tantas as vezes que ela vem por mim. São tantas as vezes que ela corre em meu auxílio e me sussurra a sua esperança e felicidade. "O mundo também é como nós", diz-me a criança que sorri na minha mente. E como eu gostava de acreditar, como eu quero acreditar! Mas são tantas as " Ossétias" que estrangulam a imaculada alegria das crianças que sorriem. São tantas... são tantas...!

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    quinta-feira, setembro 02, 2004

    Os abortos que odeio...

    Odeio abortos. Não os que se fazem mas aqueles que ficaram por fazer. Odeio as suas deformações. Não as motoras ou mentais, mas as de carácter. Irrita-me a forma como se arrastam entre nós, movidos por uma arrogância desmedida e uma soberba incompreensível. Odeio o pseudo-intelectualismo bacoco dessas bestas ignóbeis. Mas mais que tudo odeio os trilhos que percorrem, as palavras que dizem e os cheiros que emanam. Sim! Odeio esses abortos reinantes por princípio porque prezo a vida bem vivida. Porque prezo a verdade sobre a mesquinhez, porque admiro o bom carácter e odeio a perfidez. Porque a vida só faz sentido se vivida com dignidade e respeito. Odeio abortos, já disse. Não os que se fazem, mas os que ficaram por fazer. Odeio abortos, mas são os que ignoram o real valor da vida os abortos que odeio e não os que a procuram. E porque para bom entendedor meia palavra basta... há "Portas" que ainda estão por abrir.

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    quarta-feira, setembro 01, 2004

    Sobre a opinião

    Ela é isto e aquilo, a "coisa e tal" e o que se comenta. Ela é uma palavra maldita, ou apenas que se disse mal. Ela é a ideia e o idiota, a vontade e a lassidão. O que quer que seja, que se sugira, ela é o que é e a mais não se obriga. Seja o propósito ou o puro absurdo, ela é um emaranhado de palavras que se deve ter em conta. Ela, não sendo pessoa nem demonstração de um "ismo" qualquer, é o que sobrevem num momento condicionado por tidos e idos que revoltam ou se aplaudem. Ela é, pois, o isto e o aquilo da "coisa e tal" que se comenta numa palavra que por mal dita, maldita se tornou. Ela é o que a ela se quer ver ser. Pois então, assim seja!!!

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